Eu tenho mania de falar de mais, viver de mais, chorar de mais, rir de mais, abraçar de mais, amar de mais. Mas eu até gosto assim, viver no negativo não me leva a nada, ou melhor, me leva, me leva à parte de baixo do plano cartesiano.
De uns tempos pra cá muita coisa mudou. Deletei um monte de gente da minha vida. Tudo sem um pingo de remorso . Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim. Sempre dei segundas, terceiras e décimas chances pra todo mundo. Sempre compreendi os erros alheios. Chorei e sofri junto. E passei a mão na cabeça de quem fingia querer o meu bem. Estou mentindo ? A verdade é que, se me analisarem hoje, eu virei outra pessoa. Sou quase a mesma de sempre, mas sinto que não sou mais boazinha. Minha tolerância acabou, minha intuição fareja à distância uma cabecinha ruim . Não aceito mais ser amiga de gente mal-resolvida e que me ferra pelas costas . Não tenho raiva de ninguém, mas minha prioridade agora é uma só : Eu . Chega uma hora na vida que a gente tem que parar de ser boa com os outros e ser boa – primeiramente – com a gente . Outro dia uma amiga me disse uma frase que prometi não esquecer : Quando o ‘ajudar ao outro’ começa a te prejudicar, chegou a hora de parar. Ok. Me desculpem, então, os que larguei à deriva . Eu não vou tolerar ninguém que me faça ter sentimentos que não sejam incríveis. É uma questão de respeito com a minha própria vida. E comigo mesma. Não quero. Não posso . Não vou . Então pra você que acha que eu sou a mesma besta de sempre (que escuta, releva e põe panos quentes), um aviso: Tome cuidado comigo. Porque agora que eu sei o que me é caro, não vou mais deixar barato.
Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.